Para o engenheiro metalurgista Edval Gonçalves de Araújo, Jacqueline Kennedy Onassis "foi a mulher que mais esbanjou classe em todos os tempos". Por isso, ele achou que nenhum nome seria mais apropriado que o dela para batizar a empresa da qual é sócio e que tem como objetivo produzir jóias de ouro colorido 18 quilates. Assim, resolveu chamar de Jackie-O a empresa que criou no início de 2007, na Incubadora de Sorocaba com ajuda do PIPE, o programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que apóia as pequenas inovadoras.
A principal inovação que o projeto de P&D da Jackie-O quer realizar é deixar a fundição de lado no processo que leva do ouro puro à jóia. A tecnologia empregada pela Jackie-O é diferente: a liga é feita a partir de pós.
O processo consiste na moagem em moinhos de alta energia para a formação das ligas de ouro. Numa segunda etapa a conformação das peças e por fim sinterização e acabamento, se necessário. Possibilitando produzir uma grande variedade de cores e formatos de peças para as indústrias joalheiras.
A primeira etapa do processo chama-se "moagem de alta energia". Começa em um pequeno moinho vibratório, um cilindro de cerca de 10 centímetros de altura por 5 centímetros de diâmetro, no interior do qual há pequenas esferas de aço. Lâminas de ouro são colocadas dentro desse cilindro, junto com um agente controlador de processo o que faz com que se transforme em ouro em pó. Depois, ao ouro moído mistura-se pós de outros metais. Que metais? Aí é que está: depende da cor desejada. "Para ter amarelo ou vermelho, mistura-se com prata e cobre", explica. "Dependendo da proporção de cada um desses dois metais, a tonalidades da liga será amarelada (mais prata) ou avermelhada (mais cobre)." Se a liga contiver apenas ouro e prata sua cor será esverdeada. Com níquel ou platina consegue-se o ouro branco. Para obter as cores menos usuais como o púrpura, mistura-se o ouro com alumínio. Com a adição de ferro é obtida a cor azul; com cromo, o verde-oliva; e com cobalto, o preto. Segundo Araújo, a vantagem desse processo é que ele permite controlar com muita precisão a composição química da liga, o que propicia um ajuste sensível da obtenção das cores.
Depois de obtida a liga em pó é preciso transformá-la em peças sólidas. A conformação é feita em prensas onde o pó é compactado, em seguida é submetido à etapa de sinterização em fornos com atmosfera controlada, onde as peças são aquecidas a temperaturas entre 600 e 1000?C por 1h. Para as cores: amarelo, vermelho, púrpura, verde e branco, o processo termina aqui. Para a obtenção das tonalidades azul, verde-oliva e preto, no entanto, há mais uma etapa: Essas ligas devem ser oxidadas ao ar em fornos com temperaturas ao redor de 400-650º C, por cerca de uma hora.
A partir desse processamento irão ser desenvolvidos produtos que não existem no mercado. A idéia é vendê-los para joalherias ou mesmo para clientes particulares.